Deputados da oposição se reúnem com Sartori para cobrar atuação da BM em protestos

17 de maio de 2016

Movimentos sociais e deputados do PT, do PCdoB e do PSOL se reuniram, na manhã desta segunda-feira, com o governador José Ivo Sartori para reclamar da atuação da Brigada Militar (BM) nos protestos contra o presidente interino Michel Temer ocorridos na semana passada em Porto Alegre.
Foto: Carlos Macedo/Agencia RBS

O questionamento levado pela comitiva oposicionista é de que a BM teria agido com mais rigor nas manifestações contra Temer do que nos protestos pró-impeachment de Dilma Rousseff. O governo negou qualquer orientação política nas ações dos policiais militares e garantiu que a corporação segue um protocolo com medidas a serem tomadas em casos de bloqueio de vias. Apesar disso, o Piratini informou que irá apurar eventuais excessos.
Na quinta e na sexta-feira, em atos contra os peemedebistas Michel Temer e Eduardo Cunha a BM usou bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral contra os manifestantes, além de equipes a cavalo.
— Até agora, quando havia manifestação pelo golpe e em defesa da democracia, havia um comportamento da Brigada Militar de proteção aos dois movimentos. A partir de quinta-feira, quando um lado se recolhe e ficam só defensores da Dilma, em um protesto pacifico, a Brigada agiu com total truculência — critica o deputado Luiz Fernando Mainardi (PT).
O comandante da Brigada Militar, coronel Alfeu de Freitas Moreira, afirma que a corporação adota um protocolo firmado no final do ano passado a fim de orientar a ação policial em casos de interrupções em vias públicas. O documento foi elaborado por entidades que formam o Gabinete de Gestão Integrada (GGI), o qual inclui órgãos de segurança pública e instituições como Ministério Público e a Federação das Associações de Municípios do Estado (Famurs).
— Nos locais onde há autoridade de trânsito, como é o caso de Porto Alegre, essa autoridade fica responsável pela negociação com os manifestantes, e é ela que solicita a intervenção da polícia para restaurar a ordem quando necessário. Sempre tentamos negociar uma última vez, mas, quando não é possível, agimos com o objetivo de evitar confronto corpo a corpo — sustenta o comandante da BM.
Durante os cerca de 40 minutos do encontro com Sartori, a comitiva pediu o afastamento do secretário estadual da Segurança Pública, Wantuir Jacini, e de Alfeu em razão da “forma truculenta” como os policiais militares teriam dispersado os manifestantes no bairro Cidade Baixa.
— No nosso entendimento, a BM tem de proteger as manifestações e não agir como agiu — protestou o deputado Nelsinho Metalúrgico (PT).
Na reunião, que contou ainda com a presença do chefe da Casa Civil, Marcio Biolchi, e do vice José Paulo Cairoli, o governo negou a possibilidade de afastar o secretário e o comandante, mas prometeu que os episódios serão apurados pela Secretaria da Segurança Pública. Biolchi reforçou que não há diferenciação entre grupos pró e anti-Dilma no modo de atuação da Brigada:
— Não há nenhuma mudança na orientação em relação à ação da Brigada Militar, que tem um regramento técnico de como se portar, conduzir e agir em manifestações populares.
Nesta segunda-feira, a Ordem dos Advogados do Brasil no Estado (OAB-RS) divulgou nota em que reprova “o uso de força policial que põe em risco a integridade física e a vida das pessoas”, e defende manifestações “desde que realizadas de forma pacífica e ordeira, sem vandalismos, depredações ao patrimônio público e privado”.
Posição do governo
O governo publicou uma nota no perfil do Facebook em que “alerta para a tentativa política de gerar tumulto por meio de práticas já conhecidas pela sociedade gaúcha e brasileira. E reitera seu compromisso com o diálogo e a harmonia”. Leia a íntegra:



Fonte: Zero Hora

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