Estância Santiago em Uruguaiana é tombada como Patrimônio Histórico

16 de junho de 2016


Na ultima segunda-feira (13), no Salão Nobre da Prefeitura de Uruguaiana, o Prefeito Luiz Augusto Schneider assinou o Decreto nº 374-2016, que “determina o tombamento da área das ruínas da Estância Jesuítica Santiago”.

Em 1657, os padres jesuítas da Redução de Japeju (R.A.) trouxeram 1000 cabeças de gado da Estância San Andrés (R.A.), transpondo o rio Uruguai no Passo do Aferidor e assentaram-nas numa coxilha junto ao arroio Puitã (BR), dando origem assim à Estância Santiago, cujo nome foi uma homenagem ao Santo Padroeiro de toda a Espanha.


A escolha do local deveu-se, além da proximidade das demais estâncias jesuíticas, à excelência das pastagens e a abundância de água, bem junto ao vau seguro e facilmente vadeável à cavalo (Aferidor), o que permitia cruzar as tropas sem transtornos, de uma banda a outra do rio.
A sua criação surgiu como uma necessidade de formação de um ponto de exploração econômica, em face da ausência de minerais, do comércio limitado, da ocorrência de secas e pragas nas plantações, das ameaças dos bandeirantes paulistas, mas, principalmente, serviu como fator de fixação dos Guarani nas reduções.
Pela importante posição estratégica, a Estância Santiago constituía também uma espécie de posto avançado para defesa e vigilância, localizada sobre uma coxilha que se destacava como posto de observação privilegiado, permitindo a intercomunicação entre os vários pontos de toda a região da Redução de Japeju, inclusive através de grandes fogueiras que se acendiam à noite, quando necessário.
Nas enormes mangueiras de pedra, construídas com o suor dos Guarani, a gadaria era amansada, loteada e marcada, antes de ser transferida para as demais estâncias e reduções.
A Estância teve as suas construções destruídas na metade da década de 80 (século 20), quando o proprietário do imóvel na época vendeu grande parte de suas pedras para outro produtor rural, conivente, construir uma barragem.
Da antiga Estância Santiago, localizada às margens da BR 472, km 50, em direção à Itaqui, restam ainda as ruínas da capela, três currais e um poço d’água (todo o conjunto em pedra-basalto).
A Estância San Javier, no atual Município de Porto Xavier-RS, fundada alguns meses antes da Estância Santiago (2ª), também em 1657, é considerada a mais antiga do Rio Grande do Sul.
Em 1983, quando as construções ainda estavam quase intactas, o historiador Raul Vurlod Pont solicitou junto ao Executivo o tombamento da Estância. Pont faleceu em 1998.
“Como gestor público, tenho a obrigação de proteger monumentos de valor histórico como a Estância Santiago” enfatizou o Prefeito Schneider. (GMPIR)

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