Gilmar Mendes assume relatoria de novo pedido para investigar Aécio

17 de maio de 2016

Tags:Brasil
Foto: Antônio Cruz / ABr
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, determinou nesta segunda-feira o envio ao ministro Gilmar Mendes do pedido feito pela Procuradoria-Geral da República para investigar o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), por suposta manipulação de dados do Banco Rural. Além de Aécio, o caso também envolve o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB).
O pedido foi feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao ministro Teori Zavascki como um desdobramento da Operação Lava Jato. Ao considerar que o caso não tem a ver com as investigações sobre o esquema de corrupção na Petrobras, o ministro Teori sugeriu que o caso fosse redistribuído a Gilmar, que já é o relator de um inquérito contra Aécio sobre um esquema de corrupção na estatal Furnas Centrais Elétricas. Teori defendeu que os dois casos são correlatos e, por isso, deveriam ser relatados pelo mesmo ministro, o que foi acatado por Lewandowski.
O novo relator do pedido precisará decidir, agora, se abrirá ou não um novo inquérito contra o tucano. O pedido de Janot tem como base a delação premiada do senador cassado Delcídio Amaral (sem partido-MS), que acusou Aécio de manipular as informações do Banco Rural para esconder o mensalão mineiro durante a CPI dos Correios quando era governador de Minas Gerais.
Delcídio presidiu a CPI dos Correios e afirmou ter “segurado a barra” para que não viesse à tona a movimentação financeira das empresas de Marcos Valério no Banco Rural que “atingiriam em cheio” integrantes do PSDB por causa do mensalão mineiro. O senador cassado disse que Aécio ficou incomodado com a quebra de sigilo do banco durante as investigações. O tucano teria então maquiado as contas da instituição para não se “comprometer” e aliados como Clésio Andrade (então vice-governador de Minas).
Na época, Paes era secretário-geral do partido e teria sido escalado por Aécio para atuar, com Sampaio, para postergar a apresentação de informações pelo Banco Rural.
Na semana passada, após assumir a relatoria do pedido de Janot contra Aécio sobre o caso de Furnas, o ministro decidiu instaurar um inquérito. Mas, em menos de 24 horas, voltou atrás e suspendeu o andamento das investigações até que o procurador-geral da República se explique sobre o pedido. Segundo Janot, Aécio teria recebido propina de empresas terceirizadas que prestavam serviço para Furnas.
Defesas
Em nota, a assessoria de imprensa de Aécio afirmou que “pesquisa oficial feita nos arquivos da CPMI dos Correios atesta que sequer houve o pedido mencionado pelo senador Delcídio Amaral”. Também em nota, Sampaio disse esperar “com tranquilidade o desfecho do caso”. Paes informou que está à disposição da Justiça para esclarecer os fatos.
Fonte: Correio do Povo

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