Inflação de 16,5% ao ano, gasolina a R$7,80 e leite a R$2,00/litro, como sobreviver na atividade?

2 de dezembro de 2021

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Questionamento foi feito por produtores após queda de 6,5% no preço pago ao produtor em novembro.

Com a inflação chegando a quase 17% ao ano, os preços de todos os produtos alimentícios do mercado tem acompanhado este movimento. Todos com exceção de um, o leite. Mesmo com os custos de produção nas alturas, o preço do leite pago ao produtor andou na contramão, recuando em novembro.

O sentimento que atinge os pecuaristas é de revolta, a crise já levou a Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Rio Grande do Sul a deixar de participar das reuniões do Conseleite do estado.

Para quem não é do ramo, os Conseleites estaduais ditam o preço médio pago ao produtor pelo leite entregue aos laticínios em cada região. Porém, já a algum tempo os produtores reclamam da forma com que os preços são calculados e também da demora do Conseleite em refletir os aumentos de custos de produção.

Em 2020, enquanto o pecuarista leiteiro precisava de, em média, 33 litros de leite para adquirir uma saca de milho de 60 kg (com base no Indicador ESALQ/BM&FBovespa, Campinas – SP), em 2021, são precisos 43 litros para a mesma compra.

O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), divulgou recentemente uma pesquisa onde mostra que o preço do leite captado em outubro e pago aos produtores em novembro recuou 6,2% e chegou a R$ 2,1857/litro na “Média Brasil” líquida – frente ao mesmo mês do ano passado, a retração é de 2,5%, em termos reais (dados deflacionados pelo IPCA de outubro/21). Trata-se da segunda queda consecutiva dos preços no campo, e, agora, a variação acumulada em 2021 (de janeiro a novembro) está, pela primeira vez neste ano, negativa, em 5%, em termos reais.

A pesquisa aponta ainda que de janeiro a outubro, o poder de compra do pecuarista frente ao milho, insumo essencial para a alimentação animal, recuou, em média, 29,5% – no ano passado, enquanto o pecuarista leiteiro precisava de, em média, 33 litros de leite para adquirir uma saca de milho de 60 kg (com base no Indicador ESALQ/BM&FBovespa, Campinas – SP), em 2021, são precisos 43 litros para a mesma compra. Os preços dos grãos registraram quedas recentemente, mas o patamar ainda está elevado. Ressalta-se que outros importantes insumos da atividade leiteira também encareceram de forma intensa, como é o caso dos adubos e corretivos, combustíveis e suplementos minerais.

Dessa forma, a desvalorização do leite no campo se mostra fortemente atrelada à crescente perda no poder de compra do consumidor, que tem desacelerado consistentemente as vendas de lácteos desde meados de agosto. Com demanda enfraquecida e pressão dos canais de distribuição, os estoques se elevaram, forçando as indústrias a reduzirem os preços dos lácteos durante outubro.

De setembro para outubro, a pesquisa do Cepea mostra reduções de 6,8%, de 4,9% e de 2% nos preços médios do leite UHT, da muçarela e do leite em pó, respectivamente, comercializados por indústrias junto aos atacados do estado de São Paulo. As negociações do leite spot em Minas Gerais também perderam força em outubro, e os valores caíram de R$ 2,34/litro na primeira quinzena para R$ 2,14/litro na segunda (queda de 8,6%). Esse movimento de desvalorização continuou, e o leite spot chegou à média de R$ 1,96/litro na segunda quinzena de novembro.

A situação parece não ter solução e ainda que os custos de produção sigam altos, a expectativa do setor é de que a tendência de queda nos preços se mantenha no mês que vem, ainda influenciada por dificuldades associadas às vendas dos lácteos na ponta final da cadeia.

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