Sem dinheiro em caixa, os Correios precisarão tomar empréstimo para pagar os salários

10 de junho de 2016

Tags:Brasil
Foto: Alessandro Buzas
Operando no vermelho, os Correios vão precisar recorrer a um empréstimo neste ano para conseguir honrar seus compromissos, incluindo salários de empregados e encomendas de fornecedores. As projeções são de que o dinheiro no caixa da empresa termine no segundo semestre. No ano passado, as indicações são de que a empresa tenha terminado com prejuízo de 2,1 bilhões de reais – o balanço ainda não foi publicado. Este ano, até maio, a perda já chega a 700 milhões de reais.
Mais de dez anos após ser o palco inaugural do escândalo do mensalão, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ainda sofre, segundo quem acompanha o dia a dia da companhia, as consequências do aparelhamento político-partidário a que foi submetida nos últimos anos. O valor de 2,1 bilhões de reais de perda em 2015 já passou pelo crivo do conselho de administração da estatal, mas ainda não é oficial porque tem de ser submetido a uma assembleia geral, que não tem data para ocorrer. Os Correios dizem que “adotam as melhores práticas de governança corporativa” e que só iriam se manifestar sobre o balanço após a aprovação pela assembleia.
Fontes apontam o represamento do preço das tarifas de serviços, para evitar impactos na inflação, como um dos principais fatores desse prejuízo recorde. Mesmo com o reajuste de 8,89% dado pelo governo em dezembro de 2015 para as tarifas de entrega de cartas e telegramas, a defasagem retirou cerca de 350 milhões de reais dos Correios no ano passado.
As despesas dos Correios crescem em ritmo superior às receitas. Em 2015, enquanto as despesas aumentaram 18,3%, as receitas cresceram 6,5%, abaixo da inflação. Só as despesas médicas dos funcionários subiram mais de 500 milhões de reais.
Antes de apresentar os prejuízos de 313 milhões de reais em 2013, de 20 milhões de reais em 2014 e de 2,1 bilhões de reais em 2015, os Correios fecharam 2012 com 6 bilhões de reais em aplicações. Mas os resultados deficitários dos anos seguintes e os fortes repasses de dividendos para o Tesouro Nacional, para ajudar no fechamento das contas do governo, fizeram com que os recursos investidos fossem minguando nos anos seguintes. No ano passado, fechou em menos de 2 bilhões de reais.(O SUL)

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